quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Passeio de Domingo


É Inverno, mas não chove. Está frio, mas o sol brilha. Se não fossem as baixas temperaturas, ia jurar que era Primavera. Na televisão, passam as novas séries dominicais e os filmes habituais... E, para aumentar a dor de cabeça dos Directores de TV, as pessoas estão dispostas a não ficar em casa a ver televisão.
As ruas enchem-se de gente. As esplanadas ganham vida, como se fosse Verão. Os passeios, junto à praia, tornam-se pequenos para tanta gente...
O pior é quando o sol começa a "morrer", quando vai em direcção do firmamento. O frio aumenta, as pessoas dispersam-se e as estradas ganham vida. É chegada a altura do trânsito infernal... e as pessoas suportam, por uma questão de hábito, porque tem que ser. Até mesmo ao fim-de-semana decidem enfrentá-lo! E, como se não bastasse, com a vontade de adiar sempre um pouco mais a chegada a casa, passeiam pela estrada. O carro não dá mais que os 50 Km/hora e, quem tem pressa, que passe por cima! Sim, porque apesar de ser domingo, há pessoas que têm pressa!
Não suporto quem vai passear para a estrada, seja ao dia da semana, seja ao domingo! Se querem passear, que andem a pé, que andem de bicicleta... mas, a estrada, deve servir para andar, para tornar o trânsito fluido e não para o tornar num inferno. Porque a estrada não é propriedade nossa e há mais vidas a circular nela... E o pior é quando há sempre alguém a fazer uma fila interminável, quando não se pode ultrapassar por causa do traço contínuo, quando o tempo começa a escassear e há um comboio para apanhar. O comboio não espera e corre-se o risco de o perder porque alguém decidiu ir passear para a estrada... Quando é que esse estranho hábito vai terminar?

sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Esquemas & Facadas


A competição não é negativa e nunca fez mal a ninguém. É verdade que há vários tipos de competição, mas aquela que não for doentia até faz bem! Quando andamos na escola, acabamos sempre por ter um alvo psicológico, aquele ou aquela colega que, a todo o custo, queremos ficar à frente. Ser melhor, ter melhores notas, sobressair, faz com que alimentemos o ego e assim mostramos a nós próprios e aos outros de que somos capazes. Mas se essa competição pelo "1º lugar do pódio" não sair da nossa cabeça, não afectar o ambiente e as relações, então só faz com que consigamos atingir uma meta e ninguém pode ser martirizado por isso.
Mas os anos vão passando... e, pela lógica da vida, arranjamos um emprego. Aqui, há uma hierarquia, há quem manda e quem é mandado, há quem queira mostrar que manda e faça de tudo para mostrar o seu poder. Há jogos, há esquemas, há manipulações. Grita-se, olha-se de lado, fala-se mal pelas costas... tudo para subir sempre mais, para que as coisas sejam da maneira que se quer que sejam. Não que sejam as melhor, mas porque se quer. E, aqui, quem tem poder faz sempre questão de o mostrar.
O pior, não meio disto tudo, não é se é legítimo ou não sermos ambiciosos, se devemos ou não subir na vida, se havemos de estagnar. Não! O que está em causa são os valores, o respeito, os métodos. Cada um sabe de si e cada um tem o direito de fazer pela própria vida. O que choca é que, para ajudar uns e outros, usa-se o próprio poder para "enterrar" quem estava bem... e, a partir daí, pouco importa se se fazem esquemas, se se age de forma (dita) errada para se chegar onde quer. Se o jogo começou, o melhor é entrar na jogada para não se ser um mero peão no tabuleiro... e há que salvar a própria pele para não se ficar preso nos esquemas bem estruturados daqueles que querem atingir os seus fins.
Há pessoas que, definitivamente, não mereciam levar facadas nas costas. Não mereciam ser atraiçoadas (pelo que são, pelo que fizeram, por respeito). Deviam ser tratadas com respeito, dando-lhes importância pelo seu trabalho. Estarem a fazer de tudo para cavarem a sua sepultura, planeando esquemas para que outros subam na vida (sem mérito, à custa de um "tacho"), chega a ser irrisório! Quando é que haverá respeito e compreensão, quando é que as pessoas percebem que há lugar para todos? E quando é que um lugar se conquista por mérito próprio?
O encanto começa-se a perder e só aqueles que conseguirão aceitar as regras do jogo é que conseguirão sobreviver. Talvez não seja uma fase; talvez é assim que se viva neste mundo. Pode ser em todos os locais de trabalho sejam assim; será mau, mas faz-nos sentir melhor ao pensar que não somos os únicos no meio deste turbilhão. O melhor será ir com a corrente para sermos mais um entre todos, escapando assim aos esquemas; ou então, se não passarmos despercebidos, teremos que ser fortes para levar com as facadas... e sair por cima!

segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

Ano novo... vida nova?


À medida que o nosso processo de crescimento parece acelerar e a partir do momento em que vamos tendo noção do que nos rodeia, do que promete ser a nossa vida num futuro muito próximo, os anos parecem passar (muito) mais depressa. E agora começou mais um...
Assim que transitamos de um ano para outro, desejamos sempre que o próximo ano seja melhor. Mesmo que o ano que termina tenha sido fantástico, o melhor de todos os anos da nossa existência, ambicionamos sempre mais. Deve ser a natureza humana... E, ao soarem as 12 badaladas, aguarda-se que no primeiro minuto do novo ano as coisas mudem. Esperamos sempre que as alterações sejam rápidas, nunca ninguém pensa que as coisas boas (a viragem na nossa vida) cheguem só no último trimestre do ano. Mas, do que dependerá essa mudança? Da nossa sorte, das situações da vida, da reestruturação da actualidade, do nosso crescimento, da nossa própria vontade,...? Independentemente dos "ses" e "porquês", espero é ter mais paciência no próximo ano! Se há coisa que em mim tende a esgotar-se é a paciência. O que vale é que ainda há quem me vá aturando! Mas é também nestas alturas que sei com quem posso contar.
"Ano Novo, Vida Nova", lá diz o povo, com ou sem razão. A verdade é que a vida muda e os dias tendem a ser diferentes dos anteriores. Fartamo-nos disto ou daquilo e às vezes passamos para pior. Muda, mesmo! Mas acreditar que o amanhã será sempre melhor, é o incentivo ideal para enfrentar os problemas e seguir em frente.

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Regresso à rotina


Há umas semanas atrás, comenta com uma colega que estava a precisar de férias. Não era isso que o meu corpo pedia, mas a minha alma e o meu espírito, sim. Férias do dia-a-dia, do local de trabalho, das pessoas. Principalmente das pessoas, não daquelas que nos são mais próximas, mas das outras, ignorantes, mesquinhas, snobs, que querem saber sempre mais do que àquilo a que têm direito... pessoas utopicamente superiores!
Às vezes, uns tempos fora, faz bem. Para limpar a alma... Deixar-nos com vontade de voltar, ter saudades do trabalho, do tempo que é sempre pouco, de ter a vida sempre ocupada. E, quando se é forçado a ficar longe, o regresso é sempre melhor, mais sentido...
Hoje voltei. Foram duas semanas de ausência. Tinha saudades, sim. E agora a promessa era que o ritmo intenso estava de volta. Mas algo foi mais intenso do que isso... O carinho, a demonstração de preocupação, as palavras amigas, os abraços, os sorrisos... tudo! Fiquei feliz; aliviou-me as dores. Senti-me acarinhado. Senti-me especial.

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

A vida de pernas para o ar


Antes de ontem tive a pior noite desde aquele dia. Não que me doesse mais o corpo, mas porque não me saía da cabeça aquela manhã… a manhã em que tive “a minha vida de pernas para o ar”, num jeito menos romântico que a do Ricardo Azevedo e o seu “Pequeno T2”. Consegui-a lembrar-me de tudo, com mais ou menos nitidez. Apesar de não ter nenhum flash back que me fizesse saltar da cama, as imagens ganharam uma ordem cronológica e o filme não me deixou dormir.

Quando vemos na televisão um carro a capotar, pensamos sempre que, se algum dia passarmos por aquela infelicidade, agiremos de uma determinada maneira. Mas a verdade é que isso acaba por não acontecer, pois como diz quem já passou por essa situação, é tudo muito rápido. E é mesmo.

Perdi o controlo do carro. Nunca tal me tinha acontecido, mas percebi logo que ia bater. Não sei se foi da água da chuva ou do óleo na estrada devido a outros acidentes. Já tinha passado por dois, a poucos quilómetros e, segundo soube, depois, estava outro acidente a poucos metros de onde tudo aconteceu, comigo.

Nunca entrei em pânico. Nem mesmo quando, após o carro bater no separador central, capotou. Não contava… que isso acontecesse, não contava! Ouvi o airbag disparar e a esvaziar. Enquanto o carro deslizava a grande velocidade pelo separador central, com as rodas para o ar, aproveitei para mexer no airbag e concluir que enche e esvazia muito rápido para que não sufoque a pessoa acidentada. Algumas imagens passaram-me pela cabeça… talvez três situações em concreto, mas sinceramente já nem recordo bem do que me lembrei.

Lembro-me, sim, de mentalmente, pedir para o carro parar de vez. E parou. Não me lembro em que estado fiquei, como me endireitei, só sei que queria sair dali e comecei a mexer, à minha volta, para tentar abrir a porta ou o vidro. E não conseguia... mas alguém apareceu do lado do pendura e falou comigo pela janela que se tinha partido. Perguntou-se se estava sozinho, se me conseguia mexer, se me doía alguma coisa. Respondi-lhe e disse “Ajude-me, por favor”. Ajudou, sem saber quem era, sem pedir algo em troca. Parou em plena auto-estrada, arriscou até ser abalroado por algum condutor menos atento, para ajudar alguém que nem se quer sabia se estava vivo. Saí do carro pela janela do pendura… felizmente não tinha nada partido e conseguia mexer-me bem.

Foi isso que mais me sensibilizou. O facto de um grupo de pessoas, desconhecidas para mim e entre si, terem parado para me ajudar, para me amparar, para chamarem a ambulância e ligarem para os meus familiares. Nunca desmaiei, não perdi a consciência, não vomitei. Acho que perdi a noção do tempo, isso sim. Senti-me cansado. Queria deixar-me ir abaixo, mas duas pessoas agarraram-me. Olhei para o carro, uma só vez, e mal o vi desfeito em cima do separador central. De um lado para o outro corriam algumas pessoas a apanhar alguns pertences meus que, possivelmente, deverão ter “voado” do carro.

Nunca fixo o nome das pessoas, mas lembro-me do nome do Bombeiro que me deu assistência a caminho do Hospital. Acho que teria decorado o nome de todas aquelas pessoas que me ajudaram, caso se tivessem apresentado. Talvez seja nas horas de maior aflição que estamos mais aptos a criar laços de afecto e a não nos esquecermos das pessoas… No Hospital, a forma como me trataram não podia ter sido melhor. Em todos os departamentos, fossem médicos ou auxiliares. Até mesmo os Guardas da GNR foram impecáveis. Penso que na minha terra Natal as coisas não costumam ser assim…

Estive sempre calmo, mas chorei duas vezes, confesso. A primeira vez foi assim que cheguei ao Hospital e me lembrei da minha sobrinha. Tive medo de nunca mais a ver, de não a poder ver crescer. A outra vez foi quando o Guarda da GNR me disse que o meu carro, que o tinha há 3 meses, não teria mais arranjo.

Para os mais crentes, o que me aconteceu foi um milagre; para os mais cépticos, foi pura sorte. A verdade é que, para além de sobreviver, não parti nada e só tive alguns arranhões enquanto o carro foi para a sucata (o pior tornaram-se as dores físicas que só começaram a chegar depois…). Não me consigo esquecer da quantidade de vezes que me disseram “Tiveste muita sorte!”. Foi depois de sair do carro, foi dentro da ambulância, foram os médicos que me disseram, foram os Guardas da GNR… mesmo com todo o mal que aconteceu, tive sorte! Parece quase irónico. Sinto que ganhei uma segunda oportunidade para viver e agora fica-me mal pedir o Euromilhões!

E é nestas alturas que se vê quem são os verdadeiros amigos. Aqueles que, de uma forma ou de outra, sabem o que de pior nos aconteceu e entram em contacto, telefonam, mandam mensagem, mostram-se preocupados com o nosso bem-estar. Esses, jamais esquecerei.

É sempre nesta altura, na época natalícia, que nos lembramos daqueles que, por obrigação, tratam das pessoas, as ajudam, as apoiam. Falam dos médicos, dos bombeiros, dos polícias. Mas a verdade é que vai havendo pessoas que se preocupam com os outros. Talvez devido às circunstâncias da vida vamos começando a desconfiar dos outros, a não acreditar em quem não conhecemos. Talvez sejamos boas pessoas por natureza. Nós e os outros. Graças a isso, ainda vão havendo heróis e, a cada dia que passa, deveríamos estar mais atentos pois poderemos transformarmo-nos num herói na vida de uma pessoa.

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Ainda há estrelas no céu


Chegou o Outono, as folhas começaram a cair, a chuva regressou. Não tínhamos propriamente saudades de ver a água a cair do céu, pois as noites quentes de Verão não foram eternas e imaculadas. E, quando era suposto os campos ficarem secos pelo tempo característico daquela época, choveu!
As gavetas, geralmente cheias até meio pelas roupas de malha ou licra, são atafulhadas pelas roupas grossas de lã que nos prometem aquecer nos próximos tempos. E a chuva que prometia cair e nunca mais parar, abrandou. O sol voltou a rasgar o céu, mas já não aquece.
Nos últimos dias ficou a incerteza do chove, não chove. Não se sabe se o casaco perdido no armário é para vestir... mas é melhor. O tempo arrefeceu e até parece que faz doer os ossos! As noites, essas, parecem ter trazido as estrelas de verão. O céu varreu as nuvens e elas estão lá, imponentes. O ar gelado faz com que a vontade de sair para observar o céu seja nula. Mas, embrulhado numa manta no quente da casa, sabe sempre bem observar o céu estrelado pela janela. Ou, para quem não se importar com o frio e gostar de sentir a liberdade da noite, pode sempre ir para a varanda pensar na vida à espera que uma se transforme em estrela cadente.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Atrás do vazio...


A prática do exercício físico é algo que deveria ser constante na vida de uma pessoa. Contra a obesidade, contra o sedentarismo, contra a falta de saúde! Há várias formas de o praticar: seja em casa, na rua ou num ginásio. Há até quem prefira aquelas "maquinetas" saídas das Televendas e que, mesmo sentado no sofá, faz exercício!
O mais comum é a adesão ao ginásio onde se pode fazer de tudo um pouco, desde a passadeira à piscina (dependendo do plafond de cada um, claro!). Enquanto que na rua, quando o tempo está para isso, a prática desportiva é mais agradável às vistas, no ginásio, ao olhar-se para as máquinas e para os outros a praticar a mesma prática, as pessoas parecem cobaias! No jardim, corre-se à volta da natureza, à vontade, em contacto com o ambiente e sem limites; no ginásio, corre-se sempre no mesmo sítio, atrás do vazio...
E, as razões para se frequentar o ginásio, são muitas; ou então é, basicamente, para perder uns quilos! O importante é não cometer excessos, não fazer do exercício físico uma obsessão. Há que se ser consciente e saber quando se está a ir longe de mais, quando o corpo já não aguenta, quando pede alimento e não lhe damos. Aí, deixa de ser saudável e o exercício físico passa da tortura física... e o vazio estará dentro de nós!